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Como o lojista pode usar a tecnologia a seu favor?

Atualizado em: 29/04/2018

A tecnologia é essencial para os negócios, mas é preciso investir corretamente. Não basta apenas adotar uma ferramenta, é preciso utilizar aquela que faça sentido para seu negócio e que gerará resultados. O que não necessariamente significa investir muito dinheiro: com empresas cada vez mais focadas no pequeno e médio varejo e com o crescimento das startups, a tecnologia está cada vez mais acessível aos lojistas dos shoppings.

Para Caio Camargo, sócio-diretor da GS&UP, potencializadora comercial de startups focadas em varejo e consumo e autor do livro “Arroz, Feijão e Varejo”, para acertar em seus investimentos em tecnologia, o lojista precisa avaliar onde estão os problemas da operação. Sem entender quais são as “dores” do cliente, não é possível conquistar sua preferência.

Nesta entrevista, Caio Camargo fala sobre o momento das startups de varejo no Brasil e traça um mapa de como o lojista deve adotar tecnologias que façam sentido para sua operação e gerem resultados.

 

Investir em tecnologia é necessariamente caro e complicado?

Existem duas coisas distintas: inovar no negócio e investir em tecnologias. Inovar no negócio pode não ser caro, como também gratuito. Uma simples ideia, como uma maneira nova de atender os consumidores, pode ser implantada sem nenhum custo e, ainda assim, trazer algum resultado positivo nas vendas. Agora, há questões que estão além de simples inovações no negócio e que, por vezes, necessitam da implantação de tecnologias para que de fato possam acontecer. É o caso, por exemplo, da otimização da gestão do negócio, ou do melhor controle sobre estoques e pessoas no ponto de venda.

 

Existe um “caminho ideal” para adotar tecnologia no varejo?

Se o negócio é muito simples ou muito pequeno, é possível controlar as coisas “com o umbigo no balcão”. Mas se o lojista espera prosperar e crescer, fica cada vez mais difícil agir dessa forma. Conforme o negócio evolui, sistemas mais simples e até mesmo planilhas costumam não responder da maneira ideal para a gestão eficiente do negócio. ERPs e até mesmo sistemas de Business Intelligence vêm se tornando cada vez mais acessíveis ao varejo, pois os fornecedores estão de olho no pequeno e médio empreendedor. Há também uma oferta interessante de startups buscando esse nicho de mercado.

 

O que é preciso levar em conta na hora de investir em tecnologia?

Antes de adotar qualquer tipo de nova tecnologia, o lojista precisa analisar quais são as demandas que não estão sendo atendidas em seu negócio, ou o que possa ser incrementado na jornada do consumidor em sua loja. Uma fila constante na loja pode ser resolvida com melhores sistemas, com novas formas de pagamento ou com PDVs móveis. Mais do que apenas criar algo novo, cabe ao varejista, que é profundo conhecedor do negócio, entender quais são as necessidades de seus consumidores e como surpreendê-los com uma experiência acima do esperado. Que, por vezes, pode ser entregue por meio da tecnologia.

 

Que tipo de tecnologia faz mais sentido para o lojista adotar, considerando suas restrições financeiras / técnicas e a necessidade de geração de retorno rápido para o negócio?

Na gestão e operação, aconselho a começar pelo arroz e feijão do negócio, com boas opções para controle do caixa, das vendas, do estoque e do básico da operação. A partir daí, é importante se orientar pela produtividade do negócio, medindo questões como fluxo ou atendimento. Um passo seguinte seria buscar questões que possam criar uma gestão mais aprofundada do negócio, como sistemas de ERP ou BI. E só após isso partir para questões mais inovadoras, como etiquetas RFID e sistemas de pagamento móvel. As questões de tecnologia que visam uma melhor experiência, como tablets ou digital signage, podem correr por fora dessa conta, pois tem como foco o rápido resultado na venda, mesmo que tenham custos mais altos para implantação. Cabe ao varejista analisar se é possível adotar ou não esse tipo de tecnologia.