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Inovação é acessível para qualquer tipo de negócio

Atualizado em: 13/03/2018

Nesses tempos de mudanças e transformações do varejo, é preciso buscar novas soluções para os negócios. A inovação pode ser um caminho viável para resolução dos problemas do dia a dia. Para Jorge Inafuco, professor do MBA da FIA/USP, sócio do OasisLab (primeiro centro de inovação especializado em varejo do Brasil) e palestrante da HSM, o varejista deve concentrar sua atenção em quatro fontes de problemas, para então buscar soluções

Inafuco tem mais de 30 anos de experiência profissional em empresas de grande porte, tanto em varejo quanto em consultorias, com atuação nas áreas de Varejo & Consumo, M&A, Transformação Digital, Tecnologia, Marketing, Inteligência de Mercado, Gestão de Categorias e Pricing. Nesta entrevista, Inafuco mostra como inovar de maneira estratégica, gerando resultados para o negócio.

 

Quando inovar? Qual é o caminho para inovação?

Inafuco – A inovação só faz sentido se a empresa tiver um problema para solucionar. Qualquer esforço que não resolva um problema acaba sendo algo que atrapalha o dia a dia da operação. Seja o Walmart ou a lojinha da esquina, os problemas no varejo têm quatro fontes principais: o ponto de venda, mercadorias, pessoas e o resultado financeiro. Esses quatro pilares catalisam praticamente todos os tipos de problemas. Cada lojista precisa identificar onde dói mais e onde estão as melhores oportunidades.

 

Quando você fala em pessoas, não se trata somente dos funcionários, mas também dos clientes?

Inafuco – Exato. Um problema de “pessoas” que se refere aos clientes é a taxa de conversão. Em um shopping, o lojista precisa saber quantos clientes em potencial passam em frente à vitrine, quantos entram na loja e quantos efetivamente compram. Sem essa informação, como ele pode saber como agir? Alguns lojistas não têm a menor condição de saber se recebe poucos clientes ou se os clientes não compram, mas com tecnologia se resolve isso de forma simples. Pode ser usado algo sofisticado, como reconhecimento facial para identificar o humor e a idade aproximada das pessoas, mas também pode ser algo muito simples, como uma contagem de fluxo. O importante é que ter a informação permite que o lojista passe a realizar ações específicas para alcançar seu público e atraí-lo. Sem informação não se tem inovação.

 

O custo da tecnologia hoje limita a inovação?

Inafuco – De forma alguma. Normalmente o varejo acha que tecnologia é algo caro e complexo, porque era assim há algum tempo. Hoje, porém, soluções em nuvem permitem que o varejista utilize sistemas por um valor mensal muito baixo. Se você quer analisar seu giro de estoque, mas não tem um ERP e nem recursos para comprar um, existem startups com sistemas que analisam as transações realizadas na loja e identificam quais itens não foram vendidos nos últimos 15 dias ou um mês. É uma análise simples que traz um dado importante: quais itens estão sem vender. A partir daí, o lojista pode analisar mais profundamente o problema (será que o produto está fora de moda? Será que o preço está mais alto que na concorrência? Será que o produto não está sendo bem exposto na loja?) e tomar uma decisão sobre o que fazer.

 

A inovação precisa necessariamente ser complexa?

Inafuco – Ela pode ser muito simples. A inovação que importa é aquela que resolve um problema do cliente ou da loja. Uma vez comprei em uma loja duas camisas sociais. Um mês depois, o vendedor me mandou um WhatsApp perguntando se as camisas tinham ficado boas e me convidando para conhecer a nova coleção. Não tem muita tecnologia nisso, mas tem disciplina e processo. Na hora da venda, pegue o número do celular do cliente. O que o vendedor faz na loja no período da manhã? Quase nada. Então que tal aproveitar esse momento para mandar uma mensagem para os clientes que compraram nos últimos 30 dias, fazendo um novo contato? Quem disse que precisa de CRM, robôs, Inteligência Artificial, para isso? O que precisa é de foco no cliente e vontade de resolver problemas.

 

Que conselho você daria aos lojistas de shopping sobre inovação?

Jorge Inafuco – Em primeiro lugar, o lojista precisa saber se está contente com seus resultados. Se não estiver, precisa fazer algo diferente para obter resultados diferentes, e aí entra a inovação. O processo todo precisa, porém, começar com uma pergunta: eu estou contente com o que está acontecendo na minha empresa? Se estiver, não adianta falar em mudança. Inovação gera transformação e isso pode ser muito difícil caso o lojista não esteja disposto a fazer diferente.