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Meios de pagamento: uma revolução vem por aí

Atualizado em: 13/08/2019

 

 

O varejo vem passando por uma grande transformação, mas, desta vez, as mudanças não têm a ver com novos canais de compra, visual merchandising ou técnicas de venda. Agora, é a hora dos novos meios de pagamento. Cada vez mais consumidores estão usando smartphones, dispositivos conectados e wearables para pagar e receber pagamentos. Essa é uma revolução que começou no varejo online, mas já está ganhando corpo nas lojas físicas e shopping centers.

No e-commerce, a E-Consulting estima que 31,2% das transações financeiras que acontecerão este ano ocorrerão em plataformas mobile (aplicativos de pagamento). Há um ano, eram 23,5%. Já nas lojas físicas, um estudo da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) mostra que os pagamentos via aplicativo e QR Code já são usados por 24% e 17% dos consumidores entrevistados, respectivamente. Em 2018, os pagamentos via app eram citados por 4% do público e o QR Code nem aparecia.

Para Marcos Gouvêa de Souza, consultor especialista em varejo, o que está em jogo não é somente o mercado de R$ 1,55 trilhão em transações eletrônicas, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito (ABECS): “o que está em jogo é o acesso, monitoramento e uso das informações geradas pelos meios de pagamento para analisar, prever, promover, relacionar, antecipar e desenvolver novos negócios”.

Um caso de sucesso é o da Starbucks, em cujo aplicativo o cliente pode fazer pedidos, realizar o pagamento e somente passar na loja para retirar os produtos. Usado por 23,4 milhões de pessoas em 2018, o app é o mais popular do mundo, superando concorrentes como Apple Pay, Samsung Pay e Google Pay.

Com o aumento da oferta de serviços e a entrada de empresas de diversos setores no setor de meios de pagamento, esses meios serão cada vez mais relevantes para o lojista do shopping. Ao mesmo tempo em que pode aumentar o número de formas de pagamento (e exigir mais treinamento das equipes), é uma oportunidade para o lojista reduzir seus custos financeiros e adquirir mais informações sobre seus clientes.

Em um futuro muito próximo, o lojista precisará se preparar para a chegada de outros meios de pagamentos, que influenciarão a experiência do consumidor e o relacionamento das marcas com os clientes. Entre esses meios estão:

 

1 – Pagamentos por mensagem

Na China, o WeChat é uma espécie de WhatsApp que possui um sistema que permite aos usuários enviar e receber pagamentos digitais rapidamente. No Brasil, o C6 Bank oferece essa modalidade de pagamento, independente do fato de quem recebe o pagamento tenha conta em outro banco.

 

2 – Pagamento por QR Code

Uma tendência cada vez mais presente no varejo físico, o pagamento por QR Code reduz o uso de papel-moeda e cartões. O processo é simples: o cliente abre o aplicativo e apresenta o QR Code em um leitor de código de barras para a transação ser debitada da carteira digital do consumidor.

 

3 – Cartões com NFC

O pagamento contactless (sem contato) é uma forma de agilizar as transações. Essa tecnologia usa um chip inserido no cartão para permitir que o pagamento seja feito pela aproximação do cartão em um leitor, sem a necessidade de inserir o cartão e digitar senha. Em geral, compras de baixo valor deixam de exigir senhas, acelerando as vendas especialmente no setor de alimentação.

 

4 – Uso de wearables

Pulseiras, relógios e até mesmo tatuagens têm sido testados especialmente em eventos com grande fluxo de pessoas, como as Olimpíadas e o Rock in Rio. A ideia é fazer com que o tempo da transação caia e as filas (um dos grandes pontos de atrito na relação com os clientes) diminua. O mesmo conceito pode ser usado em qualquer varejista que queira diminuir as filas em suas lojas (em quem não quer?).

 

5 - Biometria

A identificação de clientes por meio das suas características físicas pode ser usada também para a realização de pagamentos. Em Zhengzhou, na China, a Alipay desenvolveu uma farmácia em que o reconhecimento facial é tudo o que o cliente precisa para comprar. Mais que isso: se o cliente precisa comprar um medicamento com receita e esqueceu seus documentos, o escaneamento do rosto é suficiente para realizar a transação.

 

O mercado brasileiro de meios de pagamento está vivendo o início de uma grande revolução. Para os lojistas dos shopping centers, essa é uma grande oportunidade de conhecer melhor os consumidores, aumentar as vendas e oferecer experiências melhores para os clientes.